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sábado, 3 de novembro de 2018

TRABALHO ESCRAVO NO MUNDO DAS ‘FAST-FASHION’

Descrição pra cegos: Cartaz do documentário The True Cost, com o nome do filme a frente de 3 pessoas bem vestidas e com sacolas de compras no chão e em suas cabeças.
Luana Almeida

O documentário The True Cost (O Verdadeiro Custo) questiona o consumo e a produção das fast-fashion, redes de varejo de moda de fácil aquisição.
As fast-fashion são lojas que estão espalhadas pelo mundo todo e levam às suas coleções, tendências da alta costura de forma rápida e por um preço mais acessível.
A acessibilidade foi fruto da mudança na dinâmica de produção, para atender os anseios dos consumidores, a indústria deslocou sua produção para países subdesenvolvidos, como Bangladesh, onde o custo de mão de obra é bem mais barato.
O longa exibe todo esse processo de produção e consumo. O diretor, Andrew Morgan, consultou jornalistas, CEO’s, agricultores e trabalhadores envolvidos na indústria.
Os relatos mais importantes são, sem dúvida alguma, dos trabalhadores. No documentário são exibidas as situações de exploração em Bangladesh e no Camboja.
Em Daca, temos o relato de uma sobrevivente do desabamento do Rana Plaza, edifício onde funcionava quatro fábricas têxteis, funcionários avisaram aos seus supervisores sobre as rachaduras no prédio, porém não foram ouvidos, o desastre resultou em 1127 mortos.
Além das péssimas condições de trabalho, jornadas exaustivas e um salário menor de US$ 3 dólares por dia, os trabalhadores, 85% mulheres, sofrem grande repressão. Shima Akhter, funcionária de uma fábrica em Daca, conta que organizou um sindicato no seu local de trabalho e levou uma lista de melhorias para seus superiores, o resultado: alguns funcionários e os chefes atacaram às costureiras, além de socos, usaram cadeiras e tesouras para agredirem-nas.
Em Phnom Penh, trabalhadores foram às ruas protestar por um salário de US$ 160 mensais, o governo respondeu com forte violência, 40 feridos, cinco deles por tiros, e a morte de uma trabalhadora atingida com um tiro no peito.
As sequelas desse abuso são as mais variadas: filhos crescendo longe dos pais, comunidades doentes devido ao despejo irregular de componentes químicos, agricultores também doentes por conta do abuso de agrotóxicos e mortes. Tudo isso para atender a demanda de consumo ‘fashion’ no mundo.

  • Trabalho escravo no mercado de ‘fast-fashion’ brasileiro
No Brasil, há desde 2003, o Cadastro de Empregadores, conhecido como a Lista Suja do Trabalho Escravo, um mecanismo criado para divulgação de pessoas físicas ou jurídicas que foram flagradas utilizando mão de obra escrava.
Para entrar na Lista, é necessário que alguém denuncie a situação ao Ministério Público, Defensoria Pública, Promotoria de Justiça, Delegacia do Trabalho ou a uma Delegacia de Polícia (Civil, Militar ou Federal), a partir daí, será formada uma equipe, que pode ser do MPT, auditores fiscais, polícia federal ou qualquer outra polícia disponível, destinada a verificar o caso.
Caso seja confirmada a denúncia, o acusado estará sujeito a processo administrativo e multa, ação civil pública pelo Ministério Público do Trabalho que poderá resultar numa reparação de ordem moral ou num processo penal, com base no artigo 149 do Código Penal, que pode resultar em 2 a 8 anos de prisão.
De acordo com o Artigo 149 do Código Penal Brasileiro, são quatro os elementos que configuram a exploração do trabalho escravo:
  • Trabalho forçado: o trabalhador é submetido a condições de trabalho sem a possibilidade de deixar o local, seja por conta de isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e/ou psicológicas;
  • Condições degradantes: a pessoa é exposta a um conjunto de irregularidades que configuram a precarização do trabalho, colocando em risco a sua saúde e vida, e que atentam contra a sua dignidade;
  • Jornada exaustiva: o trabalhador é submetido a esforços físicos ou sobrecargas de trabalho e que colocam em risco a sua integridade física; 
  • Servidão por dívida:  a pessoa é forçada a contrair ilegalmente uma dívida que a obriga a trabalhar para pagá-la e que são cobradas de forma abusiva.

No Brasil, as marcas de fast-fashion Zara, Renner e Marisa já foram multadas por trabalho escravo.
  • Zara

A Zara Brasil foi condenada por condições de trabalho análogas à escravidão em suas oficinas de costura em 2011. Foram registradas contratações ilegais, condições degradantes, trabalho infantil, jornadas de até 16h diárias, cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários e proibição de deixar o local de trabalho.


  • Renner

Condições degradantes em alojamentos, jornadas exaustivas, servidão por dívida, aliciamento e tráfico de pessoas: A Renner foi responsabilizada por autoridades trabalhistas pela exploração de 37 costureiros bolivianos em regime de escravidão contemporânea. O flagrante aconteceu em novembro de 2014 em uma oficina de costura terceirizada localizada na periferia de São Paulo.

  • Marisa
Em 2010, em uma oficina de fabricação de peças da Marisa agentes fiscalizadores encontraram 16 bolivianos, um deles menor de 18 anos, e um jovem peruano trabalhando em condições análogas à escravidão. Também foi registrado “fortes indícios de tráfico de pessoas”.



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Escravo, nem pensar!

Descrição para cegos: foto de um dedo apontando para o Brasil em um globo.


Por Lucélia Pereira

Desde 2004, a ONG Repórter Brasil, em parceria com o Ministério Público do Trabalho, realiza o programa "Escravo, nem pensar!", em dez estados brasileiros. A iniciativa é voltada para a formação de professores da rede pública de ensino, para educá-los sobre os temas imigração, tráfico de pessoas e prevenção ao trabalho escravo. O objetivo é preparar os educadores para lidar com esses assuntos em sala de aula, desmistificando a relação que é feita entre pessoas migrantes e escravizadas, na tentativa de expandir o alcance da prevenção ao trabalho degradante.
No ano passado, o programa realizou a formação continuada “Migração como direito humano: rompendo o vínculo com o trabalho escravo”, com 330 professores e 5.108 estudantes da rede pública do estado de São Paulo. Um dos resultados da campanha foi um mini-documentário. A produção audiovisual dá voz a educadores e alunos filhos de imigrantes para contarem os desafios de tentar promover um ambiente multiétnico e de integração. O documentário está disponível aqui

quarta-feira, 24 de maio de 2017

OIT lança campanha em apelo ao Brasil

Descrição para cegos: imagem mostra jovem com uma mão no queixo, coberto de fuligem, com expressão séria. No lado direito vemos a logomarca da campanha, retratando um pássaro em voo, cujas asas são formadas por mãos humanas. Abaixo da logomarca, a frase da campanha em inglês "50 for freedom".


A Organização Internacional do Trabalho (OIT), lançou, na última sexta-feira, uma campanha para pedir que o Brasil assine o tratado de combate ao trabalho forçado de 2014. Esse tratado complementa a Convenção 29 da OIT, de 1930, com o intuito de reforçar o combate às novas formas de escravidão na modernidade, mais difíceis de extinguir. A campanha denominada #50ForFreedom – 50 pela liberdade – já tem adeptos no mundo todo. Para mais informações, clique aqui. (Lucas Adriel)

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Guia para jornalistas sobre trabalho escravo

Descrição para cegos:imagem mostrando mãos abertas em cima de uma cama com uma corrente presa aos punhos. Em segundo plano, vemos uma almofada.
Por Lucas Adriel
A ONG Repórter Brasil, fundada em 2001 por jornalistas, cientistas sociais e educadores com o objetivo de despertar a reflexão e ação sobre a violação dos direitos fundamentais dos povos e trabalhadores no Brasil, lançou um Guia Rápido para Jornalistas sobre o Trabalho Escravo.
Com esse guia, o jornalista fica familiarizado com as vertentes do trabalho escravo segundo a legislação brasileira, como: condições degradantes de trabalho, jornada exaustiva, trabalho forçado e servidão por dívida. Além disso,apresenta dados sobre regiões e municípios com o maior número de casos de trabalho escravo no Brasil.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Dia para a revolução da moda

Descrição para cegos: foto mostra as palavras "fashion revolution" em cor preta, num quadro branco com moldura preta
Por Lucas Adriel

       Saber de onde são nossas roupas é fácil. Um olhar básico para as etiquetas e logo encontramos a famosa frase em inglês: made in china (feito na china), made in Brazil (feito no Brasil), ou qualquer outro país que a peça de roupa tenha sido feita. No entanto, por trás da vestimenta há um número demasiado de pessoas que fizeram com que o produto chegasse naquele modelo, por isso precisamos estar atentos ao trabalho escravo que ainda persiste na indústria da moda.
    

quinta-feira, 31 de março de 2016

Série fotográfica retrata a escravidão moderna

Descrição para cegos: foto mostra um grupo de mineiros sentados. Eles estão sem camisa, os corpos
cobertos de poeira e, na cabeça, têm uma lanterna usada para iluminar os túneis da mina,
presa por uma correia 

Será que ainda há escravidão na sociedade contemporânea? Afirmo com tristeza que sim. Atualmente, mais de 27 milhões de pessoas são escravizadas e a maioria de nós finge não saber. Foi para trazer a tona esta parte da sociedade que a fotógrafa e ativista Lisa Kristine produziu a série Modern Day Slavery. Na série, Lisa mostra o terrível mundo da escravidão moderna. Em 2012, na conferência TED, sua interferência deixou o alerta sobre este grande problema. TED é uma organização sem fins lucrativos, dedicada ao lema “ideias que merecem ser compartilhadas”. Começou há 26 anos como uma conferência na Califórnia. Você pode conferir algumas imagens da série e o vídeo da conferência neste link (Samara Mello).

sexta-feira, 13 de março de 2015

Trabalho análogo à escravidão: uma latente realidade

Descrição para cegos: foto em preto e branco mostra um grupo de 7 trabalhadores rurais atrás de grades que parecem ser de caminhão de transporte de cana de açúcar. 

Por Natan Cavalcante

No dia 28 de janeiro foi lembrado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Ainda nos dias atuais, é possível perceber que a exploração da mão de obra de seres humanos permanece como uma latente e obscura realidade do Brasil. Mais de um século depois de instituída a abolição da escravidão (Lei Áurea) [1], acordo datado de maio de 1888, é fácil constatar que não erradicou-se por completo essa prática no país.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Escravos Urbanos



O trabalho escravo é o trabalho forçado que envolve restrições, sendo a principal delas a proibição direta ou indireta do ir e vir. O trabalhador é obrigado a prestar um serviço, sem receber um pagamento, ou recebe um valor insuficiente para suas necessidades, e é submetido a uma carga horária extenuante.
Os exploradores se aproveitam da fragilidade de trabalhadores vindos da zona rural ou imigrantes sul americanos, distantes de casa e, geralmente, em situação irregular no país, para pagar salários baixos por jornadas extensas, oferecendo condições sub-humanas de alojamento e ­alimentação. 
A fiscalização de trabalho escravo é realizada de maneira conjunta pelo Ministério do Trabalho e Emprego, Coordenadoria de Combate ao Trabalho Escravo (Conaete) e Ministério Público do Trabalho (MPT).